Candidatura de Michelle Bachelet
para a Secretaria-Geral
das Nações Unidas

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Às vésperas de seu centenário, a ONU deve projetar-se como uma organização eficiente na gestão, coerente e eficaz na ação, e confiável na liderança, capaz de inspirar novamente os povos do mundo. Sua relevância não reside apenas na sua história, mas na sua capacidade constante de renovação para continuar a ser o lugar onde o mundo imagina, negocia e constrói o seu futuro comum».
I. Uma ONU preparada para o mundo de de hoje e de amanhã
As Nações Unidas continuam a ser o espaço único e insubstituível onde a humanidade se reúne para enfrentar desafios comuns. Num contexto de múltiplas crises, conflitos, mudanças climáticas, desigualdades, disrupção tecnológica e desconfiança institucional, a ONU deve renovar-se para continuar a ser eficaz, legítima e próxima às pessoas. Esta visão propõe construir as Nações Unidas de que o mundo necessita: uma Organização moderna, eficiente, transparente e orientada para resultados, fiel a seus princípios fundadores e plenamente adaptada aos desafios do século XXI. A renovação não implica começar do zero, mas sim fortalecer o que já foi construído, otimizando recursos, eliminando duplicações e reforçando a capacidade de prevenção, ação e liderança coletiva.  

Olhar para dentro: reforma institucional com propósito

Impulsionar uma reforma contínua que fortaleça a coerência, a prestação de contas e a gestão baseada em resultados, fazendo o máximo com os recursos existentes. A prevenção deve estar no centro da ação da ONU, apoiada na diplomacia preventiva, na mediação e em um Secretariado profissional, imparcial e baseado no mérito.

Olhar para fora: reconecta-se com as pessoas

Reforçar a legitimidade da ONU, demonstrando impactos concretos na vida das pessoas. Uma organização que se comunica com clareza, atua com eficácia no terreno e apoia os Estados no fortalecimento de suas instituições, alinhando o multilateralismo com as prioridades nacionais e as expectativas dos cidadãos.

Olhar para fora: reconecta-se com as pessoas

Reforçar a legitimidade da ONU, demonstrando impactos concretos na vida das pessoas. Uma organização que se comunica com clareza, atua com eficácia no terreno e apoia os Estados no fortalecimento de suas instituições, alinhando o multilateralismo com as prioridades nacionais e as expectativas dos cidadãos.

Olhar para trás: reafirmar os princípios fundadores

A Carta das Nações Unidas continua a ser um guia vivo. A imparcialidade, o respeito ao direito internacional, a igualdade soberana dos Estados e a dignidade humana devem continuar a orientar toda a ação multilateral, garantindo que a ONU seja um espaço comum de diálogo, cooperação e soluções pacíficas.

Olhar para o futuro: projetar o futuro liderança coletiva

Às vésperas de seu centenário, a ONU deve agir como arquiteta do futuro, promovendo uma governança multilateral mais inclusiva, fortalecendo a cooperação regional e utilizando a inovação e a tecnologia – incluindo a inteligência artificial – a serviço do desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos.

Olhar para o futuro: projetar o futuro liderança coletiva

Às vésperas de seu centenário, a ONU deve agir como arquiteta do futuro, promovendo uma governança multilateral mais inclusiva, fortalecendo a cooperação regional e utilizando a inovação e a tecnologia – incluindo a inteligência artificial – a serviço do desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos.

Paz e segurança

Prevenção, mediação eficaz, operações de paz mais ágeis e cooperação internacional em face de ameaças tradicionais e emergentes.

Desenvolvimento sustentável

Erradicação da pobreza, reforma da arquitetura financeira internacional, ação climática justa e apoio diferenciado aos países mais vulneráveis.

Direitos humanos

Centralidade da dignidade humana, sistemas mais eficazes e sustentáveis e pleno empoderamento das mulheres e meninas como condição para a paz e a justiça.

Às vésperas do centenário, esta visão propõe uma ONU que não se limite a administrar o presente, mas que o transforme; uma Organização capaz de antecipar crises, prevenir conflitos e unir os povos do mundo em torno de soluções comuns. Uma ONU eficiente na sua gestão, firme nos seus princípios e humana na sua ação, preparada para continuar a ser a bússola da cooperação internacional no século XXI.

Biografia

A Dra. Michelle Bachelet tem mais de três décadas de experiência como servidora pública no Chile. Foi a primeira e única mulher a ocupar a Presidência da República do Chile, tendo exercido esse cargo em dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018). Estudou medicina na Universidade do Chile, com especialização em saúde pública e pediatria. Em 2000, foi nomeada Ministra da Saúde, sendo responsável pela implementação do plano AUGE de acesso universal a garantias asseguradas por lei no sistema de saúde. Posteriormente, foi nomeada Ministra da Defesa Nacional (2002), tornando-se a primeira mulher a ocupar esse cargo na história do Chile e da América Latina, e a quinta a nível mundial. Sob a sua gestão, o papel do Ministério e do Estado-Maior foi fortalecido, avançou-se na igualdade de oportunidades para as mulheres nas Forças Armadas, Carabineros e Polícia de Investigações, e foi destacado um maior contingente de forças de paz no mundo. Em 2006, com grande apoio popular, tornou-se a primeira Presidenta da República do Chile, assumindo novamente esse cargo em 2014. Seus mandatos foram marcados por conquistas em matéria de equidade e inclusão social no país. Em 2010, o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki- moon, nomeou-a como a primeira diretora executiva da recém-criada agência ONU Mulheres, entidade chamada a lutar pelos direitos das mulheres e meninas no mundo. Entre 2016 e 2017, na qualidade de mandatária do Chile, assumiu a Presidência Pro Tempore da Aliança do Pacífico. Em 2017, foi nomeada membro do Conselho Consultivo de Alto Nível sobre Mediação das Nações Unidas. Em setembro de 2018, foi designada pelo atual Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, quando levou seu compromisso com a proteção e promoção dos direitos humanos a um nível global. Atualmente, atua como vice-presidente do `Club de Madrid`. Recebeu mais de 20 condecorações e reconhecimentos em todo o mundo, sendo o mais recente o Prêmio Indira Gandhi para a Paz, o Desarmamento e o Desenvolvimento.

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